A relação: Importante x essencial

Uma reflexão sobre o comercial do Magazine Luiza.

Semana passada o Magazine Luiza, lançou um comercial onde o fotógrafo de um casamento faltou. Nessa hora quando a noiva ia se preocupar, um convidado diz para ela não preocupar, pois ele tirava as fotos para ela com seu Iphone 7.

Depois de ver o comercial e ler muito sobre as várias opiniões que vi nos grupos de fotografia, veio o tema dessa reflexão.

Eu li todo tipo de opinião, sendo que a maioria achou que o comercial menosprezava e/ou desprezava a necessidade de um fotógrafo.

OBS: o comercial não está mais no canal da loja mas ainda pode ser encontrado em outros canais no Youtube. https://www.youtube.com/watch?v=V01XOqoXzEY

O comercial não falou (nem citou) em nenhum momento que o fotógrafo não é necessário. Não estimulou ninguém a deixar de contratar um fotógrafo porque um amigo tem um celular legal. Não incentivou hora nenhuma aos convidados tirarem mais fotos na festa (pois no caso, o convidado com o celular foi o fotógrafo). Após essas conclusões (vejam bem conclusões pessoais), não vi nada de tão grave que o comercial tenha feito.

Caso o comercial fosse dizendo algo do tipo:

A noiva: – Estou pensando se contrato ou não fotógrafo para meu casamento.

Amigo/amiga: – Ah deixa disso não precisa. Eu tenho um celular legal, estudo um pouquinho na internet e faço as fotos para você.

Se o comercial fosse nessa linha TALVEZ (eu disse TALVEZ), existisse motivo para ficar chateado. Pois sim estariam desestimulando a contratar um fotógrafo.

Agora vem a reflexão do importante x essencial. O Fotógrafo é importante para o casamento? SIM. É essencial? NÃO. Os noivos podem querer simplesmente não querer. Podem optar por ter apenas a filmagem. Podem optar por ter apenas fotos dos amigos. Podem até optar por um amigo fotografar com o celular.

Toda vez que uma profissão e/ou atividade se coloca na posição de ser essencial para a sociedade, ela está fragilizada e pode quebrar. O estímulo ao estudo, capacitação, inovação e melhora no trabalho simplesmente desaparece. Veja o que tem acontecido com os taxistas, que sempre tiveram quase exclusividade no tipo de serviço que prestam. Infelizmente alguns prestam serviços péssimos e aí vem o Uber e o Cabify, mostrando que eles podem não apenas não serem essenciais, como é possível fazer melhor e mais barato.

Pegando o gancho de um comentário muito legal do Rafel Petrocco, onde outros muitos comerciais denegriram ou citaram diretamente outras profissões e nem por isso deu nenhuma repercussão. Mas por que não deu? Porque não precisa. Não faz sentido.

É claro e óbvio que um fotógrafo profissional, com estudo e bom equipamento fará um trabalho muito melhor. É como acreditarem que no posto Ipiranga pode ser encontrado de tudo (essa sacada foi de um comentário no facebook no meu post sobre o assunto).

Ser importante é muito melhor do que ser essencial, pois obriga a estudar e se capacitar sempre.

Ser essencial, leva a uma falsa segurança e empurra toda uma classe ou profissão para uma estabilidade que não existe.

Agora fica a análise de cada um (no cenário do comercial), se o fotógrafo é importante ou essencial.

Anúncios