Compartilhamento do conhecimento

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O compartilhamento ou não do conhecimento é algo que sempre permeia algumas rodas de conversa. Alguns dizem que é necessário compartilhar e outros dizem que não. Em minha opinião, é preciso compartilhar, sim, mas com ressalvas. Como assim ressalvas? Passar conhecimento para outra pessoa que anseia por isso e que você entende ter um objetivo sincero, ou seja, ela quer aprender para melhorar, deve ser feito com certeza. Passar conhecimento para quem não está muito interessado (só isso já é motivo para repensar, pois gastará sua energia à toa) ou para quem tem interesses obscuros (vamos entender obscuros como sem um objetivo claro e nobre), eu confesso que tenho minhas ressalvas.

Vamos pensar na primeira opção, que é a mais legal e nobre. Nesse caso, devemos compartilhar conhecimento.

Compartilhar conhecimento, além de ajudar alguém, faz com que nós mesmos aprendamos ao revisar o conteúdo. Ao passar conhecimento para alguém, vem uma sensação boa de ajudar o próximo e, no geral, todos no meio saem ganhando.

Allan Elly, em uma entrevista que vi (não me recordo se li ou escutei), cita isso quando foi questionado se ele deveria mesmo ensinar algo para as pessoas de graça em alguns casos. A resposta dele foi sim, pois ao passar conhecimento o profissional melhora e se desenvolve. Com isso, o mercado melhora e ele melhora também por tabela.

Existem, claro, pessoas que não concordam. Existem pessoas que não passam conhecimento porque não querem competição ou têm medo de ser superadas. Isso é uma bobeira. Quem pensa assim deveria rever seus conceitos.

Tenho um amigo que é como um irmão e que há alguns anos se disponibilizou a ensinar a mim e à esposa dele um pouco do mundo em que estávamos pretendendo ingressar, que era no universo de TI (tecnologia da informação).

Ele chegava sempre lá pelas 20h, comia algo e ficava até as 23h. Isso pelo menos umas três vezes por semana, mostrando e explicando tudo o que sabia. Uma vez perguntei a ele se sentia algum tipo de receio ao explicar ou passar conhecimento para outras pessoas. A resposta dele foi categórica: não. Ele disse que não se importava com isso e que não tinha nenhum medo de competição, porque, por mais que ele ensinasse algo para alguém e a pessoa se esforçasse, ela nunca iria de fato superá-lo, pois ele tinha algo que não tem como conseguir apenas estudando: experiência. Toda experiência que outra pessoa possa adquirir nunca iria superar a dele, que já tinha alguns anos na estrada.

Isso é uma verdade e acontece no nosso mundo da fotografia. Por mais que você ensine tudo que sabe a alguém, como e quando usar aquele conhecimento, só quem já passou pela situação sabe. Lógico que há pessoas que conseguem evoluir muito rapidamente, mas ainda assim não será essa pessoa que tirará seus clientes.

Resumo da ópera: devemos, sim, passar conhecimento e o máximo possível. Existe o fator financeiro e não é errado se cobrar por conhecimento, afinal é o tempo da pessoa que está sendo consumido para ensinar. O propósito aqui não é entrar em debate sobre cursos, seminários, etc., pois isso é outra abordagem (possivelmente teremos um post falando sobre esse assunto, focado na qualidade do ensino). A situação aqui é citar aquele colega que te pediu ajuda, mandou um e-mail ou te procurou em alguma rede social. Se alguém quiser aprender algo que você domina e que acredita que possa passar a ela algumas coordenadas, é preciso que ela se esforce para aprender e procure informações a respeito. Afinal, esforço pessoal também é importante. Nada de querer conhecimento de mão beijada e sem esforço, por favor!

Tenho certeza de que o sentimento de quem ensina ou ajuda o próximo será recompensador.

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